Dourados registra 30 casos de assédio contra menores

11/06/2018 07:48 Policial
Delegada Andreia alerta os pais sobre a vigilância dos filhos na internet
Delegada Andreia alerta os pais sobre a vigilância dos filhos na internet

Num mundo cada vez mais conectado na internet, crianças e adolescentes se tornam mais vulneráveis aos crimes cibernéticos. O assunto é sério e muitas vezes passa desapercebido pelos pais e responsáveis. Somente neste ano, 30 casos foram registrados em Dourados e segundo a delegada Andreia Alves Pereira, é preciso que denúncias sejam feitas na polícia.

A tendência é que a família envolvida prefira deletar imediatamente as publicações ofensivas na rede. Contudo, a delegada recomenda a necessidade de manter o máximo possível de provas e qualquer indício que possa ser visto como crime para encaminhar uma denúncia formal.

Foi o que aconteceu no final de semana passada na cidade. Um estudante universitário de 22 anos aliciou um garoto de 11 anos, após o jovem postar um anúncio no Facebook de venda de bicicleta. O menino colocou seu telefone de contato para mais informações. O universitário, segundo a delegada, se interessou pelo perfil da criança na rede social e passou a manter contato via whatsapp.

Durante conversas, o homem enviou imagens das partes íntimas para o menino e combinou um encontro mediante pagamento de R$ 30, nas imediações do Parque dos Ipês, área nobre da cidade. No entanto, segundo a delegada Andreia, a criança contou a seu irmão. Foi aí que surgiu a iniciativa de procurar a delegacia e o universitário foi preso em flagrante.

O caso só foi resolvido, conforme a delegada, graças à ação rápida da família. "Por isso a necessidade de se manter um bom diálogo entre pais ou responsáveis com os filhos", disse. Ela faz um alerta sobre uma série de cuidados a serem feitos com crianças e adolescentes, para que não caiam nas mãos de aliciadores.

Entre as dicas está a manutenção de computadores sempre em locais que possam ser observados com facilidade pelos adultos. Também é preciso verificar por meio de histórico os sites visualizados e com quem é mantido contato. "Tem que ser vigilante e os pais devem demonstrar autoridade sobre os filhos", afirma a delegada.

Um dos grandes canais onde se iniciam os crimes é o chat, de portais específicos de conversas, e até mesmo as redes sociais, por onde os aliciadores conhecem primeiramente as vítimas por meio de fotos, vídeos e demais informações disponíveis na rede como a escola onde estuda, bairro que mora, para depois iniciar a conversação pelo bate-papo.

Os aliciadores, conforme tem constatado a delegada, se passam por crianças e adolescentes, em perfis falsos. Mentem a idade e até pedem o silêncio das vítimas, para que ninguém saiba do relacionamento de amizade virtual. A delegada alerta ainda para a observação no comportamento das crianças e adolescentes. Muitas delas podem apresentar sinais como irritabilidade, nervosismo, se fechar, perda de apetite. Tudo isso após sofrer assédio.

Não é sem lei

A internet, embora seja um importante canal de comunicação e de informação, tem se mostrado um espaço de manifestação de ódio e preconceito. Tudo isso porque as pessoas acham que o espaço virtual é livre de regras e leis. Contudo, não é bem assim. O artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê as situações de crimes, que incluem a posse e a distribuição de imagens de crianças com teor sexual, com pena de prisão de 4 a 10 anos, dependendo do caso.

No entanto, qualquer tipo de assédio sexual (contra maiores de idade) pelas redes sociais, como Facebook, Instagram e até mesmo pelo WhatsApp, pode ser considerado contravenção penal por importunação ofensiva ao pudor, definida pelo artigo 61 da Lei de Contravenções Penais (Lei nº 3688/41).

Fonte: Flávio Verão / Dourados Agora

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