Em estudo, eficácia da 1ª dose cai até 19% diante da variante delta

Para os pesquisadores, que compararam o efeito dos imunizantes da Pfizer e da AstraZeneca nas variantes alfa e delta do coronavírus, estudo ressalta importância de tomar ambas as doses da vacina
13/08/2021 16:11 Brasil
Na comparação com a variante alfa, a eficácia da 1ª dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca cai diante da delta (Foto: Pexels/Anna Shvets)
Na comparação com a variante alfa, a eficácia da 1ª dose das vacinas Pfizer e AstraZeneca cai diante da delta (Foto: Pexels/Anna Shvets)

A variante delta (B.1.617.2) foi registrada pela primeira vez em outubro de 2020 na Índia. No meio de abril de 2021, essa versão do Sars-CoV-2 se tornou a dominante na região e, em maio, já havia sido detectada em outros 40 países. Por isso, pesquisadores do mundo inteiro têm se mobilizado para entender melhor o funcionamento dessa cepa e a forma como as vacinas se comportam diante dela.

De acordo com um artigo publicado no periódico The New England Journal of Medicine nesta quinta-feira (12), a eficácia da primeira dose dos imunizantes da Pfizer/BioNTech e da Oxford/AstraZeneca em prevenir casos sintomáticos pela delta pode diminuir de 12% a 19% na comparação com a variante alfa (B.1.1.7), originalmente vista na Inglaterra. Após as duas doses, porém, a proteção que as vacinas conferem contra a delta é similar à fornecida contra a alfa.

Considerada uma variante de preocupação conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), a delta têm mutações na proteína spike do vírus que podem afetar a resposta imune. Além disso, existe a possibilidade de que cepas com essas mudanças tenham maior capacidade de se replicar, apresentar cargas virais mais elevadas e intensificar a transmissão.

Em estudo, eficácia da 1ª dose cai cerca de 15% diante da variante delta (Foto: Reprodução/The New England Journal of Medicine)

Em média, a eficácia foi de 30,7% contra a delta (em roxo) e de 48,7% contra a alfa (em azul) após a primeira dose. Já com as duas doses, o índice foi de 79,6% diante da delta e de 87,5% diante da alfa (Foto: Reprodução/The New England Journal of Medicine)

O estudo foi liderado por pesquisadores da Public Health England, a agência governamental de saúde pública do Reino Unido, onde houve um aumento rápido de casos pela variante delta. Para chegar às conclusões divulgadas, os profissionais analisaram dados de 150 mil pessoas total ou parcialmente imunizadas com Pfizer ou AstraZeneca e informações de 93 mil indivíduos não vacinados.

A partir disso, descobriu-se que, independentemente do fabricante, a primeira dose de vacina foi 30,7% eficaz contra a delta e 48,7% eficaz contra a alfa. Após duas doses, a Pfizer apresentou eficácia de 88% entre pessoas infectadas pela delta e de 93,7% entre indivíduos contaminados com a alfa. Esses números no caso da AstraZeneca foram, respectivamente, 67% e 74,5%.

“Depois da administração das duas doses, foram notadas somente diferenças modestas na eficácia das vacinas na comparação entre as variantes delta e alfa”, constatam os pesquisadores no artigo. De modo geral, o trabalho ressalta que, embora os imunizantes possam oferecer maior proteção contra a alfa do que contra a delta, a eficácia com a segunda dose continua sendo alta.

As disparidades absolutas foram mais acentuadas após a primeira dose, o que ressalta a importância da vacinação completa de todos os indivíduos. “Nossa descoberta sobre a eficácia reduzida após uma dose respalda esforços para maximizar a aplicação das duas doses em populações vulneráveis no contexto da circulação da variante delta”, concluem os pesquisadores.

Os resultados também reforçam a necessidade de seguirmos medidas não farmacológicas (como uso de máscara e distanciamento físico) durante o intervalo entre as doses — e também depois da segunda, já que as vacinas nos protegem, mas não protegem completamente contra o coronavírus.

 

Fonte: GALILEU

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